BEIRA | SPFW N45

Não adianta só ver as fotos: a roupa da Beira é pra pegar, sentir o toque (algodão, tafetá de seda e uma mistura de pet, algodão e seda descartada de casulo rompido que vira um brim colorido com faixas rústicas lindas), observar pela lateral (as pregas e os recortes que se deslocam, ora na posição do bolso, ora mais pra frente ainda, quase nunca no lugar onde costumam estar), ver de perto a costura feita com máquina de braço (que deixa o pesponto, tipo de calça jeans), reparar no tingimento artesanal. Essa estreia no calendário oficial do SPFW da marca de Lívia Campos, que se formou em desenho industrial pela PUC-Rio em 2013, traz esse minimalismo “estranho” e muito chic dela pro foco.

A marca tem uma produção toda caprichada – as peças do desfile precisam ser produzidas internamente por causa da máquina de braço, que é raríssimo uma costureira fornecedora ter – e hoje, no Brasil, só vende na Pair em SP. Mas Lívia possui 10 pontos de venda no exterior (!). A apresentação traz ruídos ruidosos da banda Dedo na trilha sonora, e o casting entra carregando as silhuetas retas, monocromáticas e lisas (com a exceção do shibori quadriculado, a versão dela pro xadrez do momento). A parte final, de um vermelho terroso e com os modelos de cabelo curto ou carecas, chega a ser uma visão meio monástica, Hare Krishna. O cuidado com a roupa é tanto que lembra algo religioso. É uma estreia que não passa despercebida, contundente, relevante, de peças bem feitas! (Jorge Wakabara)

Via Lilian Pacce

Styling Isadora Gallas

Beleza Dindi Hojah

Produção Magá Mitchell e Gabriela Palumbo

Comunicação Karina Mota, Claus Neves e Agência Lema

Direção de desfile Augusto Mariotti

Trilha DEDO